Nota: 3/10

Existe uma diferença brutal entre a grandiosidade de um evento histórico e a forma como ele é transposto para as telas. O mais recente filme de Steven Spielberg sobre o Dia D é o exemplo perfeito de quando a intenção de ser “reflexivo” acaba se tornando um obstáculo para a própria história.

O grande pecado da produção é o seu argumento. O filme se perde em um ritmo lento que, francamente, não combina em nada com a magnitude da Operação Overlord. Ao revisitar os documentos e registros históricos daquele 6 de junho de 1944, percebemos que o que definiu o desembarque na Normandia foi exatamente a urgência, a coordenação caótica e a pressão absurda do tempo. O filme, por outro lado, escolhe ignorar essa pulsação frenética em favor de uma narrativa arrastada, que parece ter medo de tomar decisões ousadas.

Falta urgência. Falta a sensação de que o mundo estava mudando em segundos, algo que qualquer leitura básica sobre as manobras das tropas aliadas nas praias da Normandia consegue transmitir com muito mais eficácia do que as horas de duração deste longa. O roteiro parece mais interessado em diálogos expositivos e em pausas dramáticas desnecessárias do que em construir a tensão que um evento desse porte exige.

É frustrante assistir a uma produção que trata um dos dias mais decisivos da história mundial com tamanha morosidade. O argumento fraco faz com que os personagens pareçam desconectados do perigo ao seu redor, tornando a experiência quase monótona. Spielberg nos habituou a obras-primas, mas, neste caso, o resultado é um projeto que falha em capturar o espírito da história e, principalmente, falha em prender o espectador. Uma decepção que não faz justiça aos fatos.

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