
O aguardado retorno da franquia, “Todo Mundo em Pânico” (2026) — também referido como Scary Movie 6 —, chegou aos cinemas brasileiros no início de junho, trazendo de volta o quarteto original formado por Anna Faris, Regina Hall, Marlon Wayans e Shawn Wayans.
Após mais de duas décadas de hiato, o desafio dos irmãos Wayans era claro: como fazer uma paródia relevante em uma era dominada pela “cultura do cancelamento”, pelo excesso de reboots e pela saturação de produções de terror “elevado”? O filme responde a isso com uma abordagem que tenta ser tão irreverente e politicamente incorreta quanto o original de 2000.
O que funciona:
- O Fator Nostalgia: Ver o elenco original reunido é, sem dúvida, o ponto alto. A química entre Anna Faris e Regina Hall permanece intacta, e o retorno de Marlon e Shawn traz aquela energia caótica que os fãs da franquia sentiam falta.
- Alvos Atualizados: O roteiro não perde tempo e atira para todos os lados, satirizando desde o excesso de requels (continuações que fingem ignorar sequências anteriores) até produções contemporâneas de terror psicológico e slasher.
- A “Coragem” do Humor: O filme mantém a proposta de não ter filtro. Em um momento em que a comédia mainstream tem se tornado mais contida, Todo Mundo em Pânico (2026) se esforça para manter o tom ácido e subversivo que tornou a série famosa, visando explicitamente “cancelar a cultura do cancelamento”.
O que pode dividir o público:
- Humor datado versus moderno: Embora o filme tente se modernizar, a estrutura das piadas ainda bebe muito da fonte dos anos 2000. Para alguns espectadores, isso pode parecer uma repetição nostálgica, enquanto para outros pode soar como uma tentativa forçada de manter uma fórmula que, para o bem ou para o mal, já foi superada pela evolução da comédia nas redes sociais.
- O excesso de referências: Como qualquer paródia, a eficácia do filme depende do quanto o espectador está familiarizado com os alvos da sátira. Se você não acompanhou o cenário de terror dos últimos anos, várias piadas podem passar batidas.
Nota: 7.0/10
O novo “Todo Mundo em Pânico” não tenta reinventar a roda, e talvez essa seja sua maior qualidade. É um filme feito de fãs para fãs, que funciona como uma celebração nostálgica com o bônus de uma crítica afiada à indústria cinematográfica atual. Não é uma obra de arte refinada, mas é um entretenimento ruidoso, divertido e extremamente fiel à essência da franquia.




