A Performance de uma Vida: Jaafar Jackson

O maior trunfo do filme é, sem dúvida, Jaafar Jackson. Não se trata apenas de uma imitação; o sobrinho de Michael consegue canalizar a energia, o timbre de voz e, principalmente, a vulnerabilidade do tio de forma assustadora. Nas sequências musicais — que são o coração pulsante do longa — Jaafar brilha. A precisão dos movimentos em recriações de momentos icônicos, como a era Thriller e a turnê Bad, justifica o orçamento de US$ 150 milhões.

Narrativa: Entre a Glória e a Proteção

O roteiro de John Logan (Gladiador) opta por uma estrutura que foca intensamente na infância sob o domínio de Joe Jackson (interpretado com uma intensidade intimidadora por Colman Domingo). O filme acerta ao mostrar como o trauma infantil moldou o isolamento de Michael na vida adulta.

No entanto, a crítica especializada tem apontado um “filtro de proteção” na narrativa. Por ser um projeto aprovado pelo espólio do cantor, o filme tende a suavizar as polêmicas mais densas. A trama termina em 1988, no auge da turnê Bad, o que permite ao filme encerrar em uma nota alta de triunfo, mas deixa de fora décadas de eventos complexos que muitos espectadores esperavam ver abordados com mais profundidade.

Direção e Aspectos Técnicos

Antoine Fuqua traz seu estilo visual dinâmico, transformando as apresentações de palco em experiências cinematográficas imersivas. A cinematografia utiliza paletas de cores que evoluem conforme a psique de Michael se transforma: do brilho vibrante dos Jackson 5 aos tons mais frios e contrastantes da era solo.


Pontos Positivos vs. Pontos Negativos

Pontos PositivosPontos Negativos
Jaafar Jackson: Uma atuação digna de premiações.Roteiro Seletivo: Evita temas espinhosos e termina cedo demais.
Números Musicais: Produção técnica impecável e som surround vibrante.Ritmo: O filme foca muito na infância e acelera a transição para o estrelato solo.
Colman Domingo: Entrega um Joe Jackson complexo e temível.Maquiagem/CGI: Algumas transições de idade parecem artificiais.

Veredito Final

“Michael” funciona perfeitamente como uma homenagem técnica e emocional. É um deleite para os fãs que buscam reviver a magia do artista e entender a origem de suas dores. Contudo, para quem buscava uma análise desconstruída e imparcial da figura humana por trás do mito, o filme pode parecer uma celebração “limpa” demais.

Com o lançamento global de “Michael” (2026), dirigido por Antoine Fuqua, o filme se tornou o assunto principal da crítica cinematográfica nesta semana. Como esperado de uma obra produzida em colaboração com o espólio (Estate) do cantor, o resultado é um espetáculo técnico impecável, mas que foge de feridas abertas.

Tendência