Escrito e dirigido por Pedro Uchoa, o espetáculo inédito “O Extermínio da Cegonha” segue em cartazno Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil. Sabe aquel

Obra inédita escrita e dirigida por Pedro Uchoa investiga, de forma divertida, provocadora e atual, o poder da tecnologia na criação de relações, afetos e escolhas — funcionando também como gatilho trágico para histórias que não existiriam no mundo analógico.

Divertido, provocador e atual. Assim pode ser entendido “O Extermínio da Cegonha”, espetáculo que segue em cartaz até o dia 26 de abril no Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro propondo um encontro entre gerações que pensam e sentem o mundo de maneiras muito diferentes, trazendo à cena tensões que atravessam tecnologia, memória, desejo e responsabilidade. Escrita e dirigida por Pedro Uchoa, que também integra o elenco ao lado de Higor CampagnaroJean Marcel GattiJulia Limp Nara Parolini, a montagem tem como ponto de partida a investigação do poder da tecnologia e as consequências das interferências tecnológicas no comportamento da sociedade atual.

Na trama, Isabel decide passar o feriado de finados em sua cidade natal com seu namorado, seu cunhado e sua irmã mais nova. Porém, um reencontro a princípio casual com Samuel, seu amigo da infância, desencadeia acontecimentos que trazem à tona fantasmas do passado, revelando conflitos e memórias irrebobináveis. A peça coloca uma lupa nos atritos entre a realidade analógica e digital, falando de uma geração que lida naturalmente com aplicativos e smartphones, mas que cresceu numa infância dividindo um telefone fixo com a família toda. A irmã caçula Madá, típica figura da geração Z, cria o contraponto do olhar do nativo digital, porém assim como os demais personagens e espectadores, vive numa sociedade onde a vida é registrada em stories e a emoção é medida por engajamento.

Além da crítica a esses novos comportamentos, outros assuntos também sobem ao palco, como responsabilidade emocional, silenciamento feminino, consciência de privilégios e as diferenças geracionais, que são o reflexo da evolução contínua da sociedade. Por meio de uma narrativa contemporânea, o espetáculo investiga os conflitos humanos atravessados por essas transformações invisíveis e revela como a transição analógica-digital redesenha o modo como criamos vínculos, gestos, ritmos, afetos – e como permanecemos na memória alheia.

O processo da escrita começou há mais de 10 anos, mas, sendo um texto que reflete com verossimilhança as vivências tecnológicas inerentes à maioria dos contemporâneos, o avanço da tecnologia, ponto central da história, fez com que a trama fosse algumas vezes adaptada. E como ela também vem redefinindo como vivemos em comunidade, a peça observa e acompanha essa realidade, fazendo com que o público seja provocado a refletir sobre como estamos vivendo, nos comunicando e construindo nossas relações.

“A cada gaveta, eu percebia que o mundo tinha avançado alguns passos e o texto precisava acompanhar esse deslocamento. Ele nasceu em outro momento histórico, quando muitas das questões digitais que hoje parecem centrais ainda estavam em formação. Ao longo desse tempo, o texto não ficou parado. Ele foi atravessado pelas transformações do mundo e pelas minhas próprias. O tempo trouxe um diálogo vivo com aquilo que eu ia escrevendo e funcionou como um coautor silencioso, tensionando ideias, aprofundando personagens e deixando que as imagens amadurecessem, até encontrarem a forma que têm hoje”, analisa Pedro Uchoa.

No processo de atualização do texto a tecnologia deixou de ser apenas pano de fundo e passou a ser estrutura dramática. Com isso, os conflitos geracionais ficaram mais evidentes e certas tragédias, que antes pareciam exagero, se tornaram plausíveis. “As renovações tecnológicas alteraram profundamente o comportamento humano, em uma velocidade tão vertiginosa que se tornou urgente registrar em cena este nosso tempo. Diante dessa aceleração, o teatro tem que assumir quase uma função provocativa, criando uma experiência que nos permita reconhecer o impacto dessas transformações em nossas escolhas, afetos e conflitos. Uma experiência que não compete com a tecnologia, mas contracena com ela”, aponta Uchoa.

Para o diretor e autor, é impossível falar da vida sem tratar de assuntos que nos urgem como sociedade. “A tecnologia hoje não é uma ferramenta, é um território. Então, quando usamos dramaturgicamente este território para criarmos uma dramaturgia que dialoga com o hoje, com nosso novo letramento, após criação de palavras que nem existiam no nosso dicionário, isso é também uma responsabilidade ética. Existe o desafio de tratar de assuntos tão atuais sem cair em respostas fáceis. A peça nasce desse desejo de pensar o presente com complexidade poética, mas sem simplificar de forma leviana os conflitos que nos atravessam”, pondera Pedro.

Com linguagem direta, a encenação mistura elementos de realismo e poesia, transita entre o trágico e o cômico, e propõe uma linguagem acessível e fragmentada, em sintonia com a subjetividade do tempo presente. Com início em um karaokê interativo – onde a plateia é instigada a cantar e enviar suas músicas via QR Code – o espetáculo já rompe com a quarta parede e convida o público a se tornar testemunha ativa de uma história que também poderia ser a dele. Ao mesmo tempo, instaura-se uma quebra de uma quarta parede digital, quando o público interage em tempo real com o perfil do espetáculo no Instagram para escolher sua música, ele participa fisicamente e virtualmente da experiência teatral.

“Desde a primeira cena o público deixa de ser apenas espectador e passa a compartilhar a experiência. Canta junto, ri, se reconhece e, aos poucos, percebe que é testemunha nas questões que a peça aborda. É um trabalho que mistura humor e vertigem, vulnerabilidade e tecnologia. Me interessa fazer um teatro que afete a plateia, que provoque uma reflexão nos mais profundos paradigmas e use o teatro para pensar a própria vida. Criamos toda noite uma espécie de pacto silencioso que se estabelece cada vez que toca o terceiro sinal, cada vez que um elenco invoca merda. Quando faço teatro, faço para o outro”, encerra Pedro Uchoa.

SINOPSE

Na trama, Isabel decide passar o feriado de finados em sua cidade natal com seu namorado, seu cunhado e sua irmã mais nova. Porém, um reencontro a princípio casual com Samuel, seu amigo da infância, desencadeia acontecimentos que trazem à tona fantasmas do passado, revelando conflitos e memórias irrebobináveis. Um olhar sensível sobre o que resta de nós quando nossas escolhas são atravessadas por algoritmos e as consequências de um clique. ‘O Extermínio da Cegonha’ mistura realismo brutal e poesia para investigar o colapso do encontro sinestésico entre o que fomos e o que nos tornamos atravessados pela tecnologia.

SOBRE O CCBB RJ

Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 36 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar.

FICHA TÉCNICA

Texto e Direção: Pedro Uchoa

Elenco: Higor Campagnaro, Jean Marcel Gatti, Julia Limp, Nara Parolini e Pedro Uchoa

Diretor Assistente: Leonardo Bastos

Iluminação: Hugo Mercier 

Cenário: Carila Matzenbacher 

Figurino: Luiza Fardin

Trilha Sonora: Pedro Leal David

Fotografia: Dalton Valerio
Estrategista Digital: Natalia Regia

Programação Visual e Vídeos: Amarildo Moraes 

Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Comunicação

Produção Executiva: Gabriel Garcia

Direção de Produção: Juliana Mattar 

Realização: CCBB e Proposta A6

SERVIÇO

“O EXTERMÍNIO DA CEGONHA”

Centro Cultural Banco do Brasil – Teatro III

Temporada:

1º a 26 de abril de 2026

Quarta-feira a Sábado às 19h e Domingos às 18h

Inteira: R$ 30 | Meia-entrada: R$ 15 – Disponíveis na bilheteria física ou no site do CCBB (bb.com.br/cultura)

Estudantes, maiores de 65 anos e cartões Banco do Brasil pagam meia-entrada 

Classificação Indicativa: 14 anos

Duração: 80 minutos

Instagram: @exterminiocegonha

Centro Cultural Banco do Brasil

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
Tel. (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br

Informações sobre programação, acessibilidade, estacionamento e outros serviços: bb.com.br/cultura

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